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Ciência e Tech

Editorial: Microsoft, aquisições e Nokia

No mundo da tecnologia, não é difícil lembrar da rápida ascensão de smartphones iOS e Android e a forma rápida e pouco sutil com que a Microsoft decidiu encarar os novos competidores: comprando a Nokia. Uma atitude até desesperada, típica de quem não querer ficar para trás. Uma coisa que o então CEO Steve Ballmer viu como certa, pois como pode uma empresa líder no seguimento de sistemas operacionais perder o bonde do mobile?

A Microsoft até usou aparelhos Nokia rodando Windows Mobile por um tempo antes de descontinuar a marca e adotar a “Windows Phone” como sistema operacional e fabricante de smartphones e até alguns tablets. A Nokia, por outro lado, se tornou uma empresa com muito dinheiro em caixa (a venda do seu departamento de telefones lhe rendeu 2.8 bilhões de dólares) e parece estar confortável desenvolvendo softwares como o Here (que já caminha para ser o melhor aplicativo de mapas do mercado), e licenciando a sua marca para uso de terceiros. Inclusive, foi anunciado hoje que a Nokia está cedendo o seu nome e patentes para empresas chinesas. Essas empresas poderão usar o nome da finlandesa por dez anos, ao passo que ela pretende ficar de olho, mantendo assim um padrão de qualidade sob o que chega ao mercado com o seu nome. Os aparelhos rodarão Android e devem chegar ao mercado ainda em 2016. Aguardemos.

Voltemos a Microsoft

Olhando para o passado, mesmo com todo o planejamento em torno do Windows Phone, a Microsoft parece não entender o que as pessoas queriam. Ela foi a primeira empresa a desenvolver um sofisticado sistema operacional para dispositivos móveis, o Windows CE, lá em 1996. Porém, mesmo com o Windows Mobile (já no ano 2000), o que ela fazia era reproduzir o sistema operacional do desktop e colocar ele em um aparelho menor. Ninguém cogitou o fato de dispositivos mobile pedirem não apenas novas interfaces, mas também novas formas de uso.

Quando o iOS, e logo depois o Android dominaram todo o mercado, a empresa de Redmond bem que tentou pegar uma fatia do bolo. Ela gastou bilhões (o que ela faz de melhor) para tentar se tornar uma nova Apple no ramo de smartphones, mas após um lançamento pouco expressivo, o marketshare nunca ultrapassou os 3.4% (se mantendo estável no 2.5%), o que nunca estimulou desenvolvedores a criar aplicativos para a plataforma, o que teve como consequência direta afastar consumidores pela falta de recursos.

A Nokia pecou em imaginar que os smartphones seriam um nicho específico, prova disso é que a empresa nunca deixou dedicar investimentos em aparelhos simples para mercados emergentes. Hoje, mesmo com foco em licenciamentos e boa saúde financeira, ela é apenas uma sombra do que já foi – e do que poderia ter sido. Do outro lado, a Microsoft tentou se diferenciar demais dos seus concorrentes Apple e Google, acreditando que se daria bem como uma terceira alternativa.

Estamos em meados de 2016 e já se fala que o novo CEO da Microsoft, Satya Nadella (um cara que sabe como o mundo gira) vai acabar com a linha mobile da empresa em 2017. Da mesma forma que a Lenovo comprou o departamento de hardware da IBM e a Motorola Mobile – que pertencia a Google, resta saber quem irá comprar o que já foi, a maior e mais confiável empresa de telefones do mundo.

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Tags : AndroidAppleGoogleiOSMicrosoftMobileNokiaSatya NadellasmartphoneSteve BallmerWindows Phone
Thomaz Maioline

O autor Thomaz Maioline

Leitor de ficção cinetífica, hi-tech afficionado, fã de Seinfeld. Fanático com música, livros e quadrinhos. Caçador de barganhas.