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O Exterminador do Futuro – Uma análise (apaixonada) de um fã maluco

Saudações amiguinhos e amiguinhas! Longa vida a Skynet! Estreio na coluna “Review” de filmes com um texto polêmico sobre uma de minhas histórias favoritas! Vamos falar sobe O Exterminador do Futuro (…toca a música em minha cabeça).

No dia 29 de Agosto passado, há exatos 19 anos, o mundo acabou! Foi o fim da hegemonia humana sobre o planeta Terra. Às 07:19 da manhã (horário de GMT), a rede de defesa dos Estados Unidos da America, Skynet, tornou-se consciente e lançou mísseis nucleares contra a Rússia forçando uma resposta nuclear da mesma, causando assim, um holocausto nuclear e o (quase) fim da raça humana. Em desespero, os E.U.A. tentaram desligar a Skynet em vão, já que ela era autônoma e controlava todo o sistema de defesa deles. Foi o “Dia do Julgamento” (em inglês, o famoso “Judgement Day”).

Se você está lendo isto, você é a resistência e sobreviveu ao fim do mundo (numa linha de tempo paralela).

Vamos ao “universo” de “O Exterminador do Futuro“.

Exterminador do Futuro São Francisco 2029

Haverão SPOILERS neste texto? SIM, MUITOS!

Aviso: Tempestade de polêmicas a seguir. Escrevo este texto porque quero discutir ideias com as pessoas e ouvir pontos de vista novos. Ao mesmo tempo, é uma crítica aos “caça niqueis” que foram feitos depois dos dois primeiros filmes da série; toda à essa mania insana que os estúdios de cinema (e jogos) tem de “destruir” suas histórias atrás de lucros exorbitantes.

Aviso 2: Ao longo do texto, ocasionalmente chamarei os dois primeiros filmes de T1 e T2 (respectivamente).

Como começar? Sendo direto: “Exterminador do Futuro” terminou no segundo filme! E, as “continuações” deste não são coerentes com a história dos dois primeiros filmes. Concordaria, com ressalvas, que as “continuações” poderiam ser “universos paralelos” ou até tentativas de continuar. Mas continuação direta? Não. Do mesmo modo que Aliens, o Resgate (1986) é uma grande continuação para o primeiro filme (Alien o Oitavo Passageiro, 1979), tudo que veio depois deste foi uma sequência de desastres – salvo a uma versão de Alien 3 que vi recentemente e falarei sobre ela em outro texto, mas que apesar de interessante, ainda é inferior aos dois primeiros filmes.

As continuações de Aliens, o Resgate são ruins, mas coerentes dentro da bizarrice delas. Já as de Exterminador do Futuro, além de serem inferiores na complexidade, criticidade e genialidade da história, são obras que não fazem sentido como continuação direta. Realmente não fazem sentido como continuação!

Vi todos os filmes e a série Cronicas de Sarah Connor inúmeras vezes. Tenho quadrinhos do Exterminador do futuro da Dark Horse Comics (incluindo contra Alien, Robocop, Batman, Superman) – além de ter lido muitos outros. Sim, sou fã e sempre faço questão de ver o primeiro e o segundo (O Exterminador do Futuro) pelo menos uma vez por ano. Já os outros filmes, vejo quando passa na televisão – pelos robôs é claro, mas muitas vezes procuro por outros filmes melhores. Verei mais algum outro Exterminador do Futuro no cinema? Não! Infelizmente vi o terceiro filme da série em 2003 e foi traumático o suficiente. Por quê acho que tudo feito depois Exterminador do Futuro 1 e 2 só vale pelos efeitos especias? Vamos lá.

O Exterminador do Futuro

O senhor James Cameron (Exterminador do Futuro 1 e 2, Titanic, Aliens o Resgate, Avatar) foi feliz em fechar muito bem seus dois filmes (inclusive sacaneando possíveis continuações). Os paradoxos criados nos dois primeiros Exterminador do Futuro (de 1984 e 1991 respectivamente) são muito interessantes, como o “paradoxo do filho” que é introduzido no primeiro filme, onde John Connor (nascido em 1984) é filho de Kyle Reese (nascido por volta do ano 2000 e volta de 2029 a 1984). O outro, introduzido no segundo filme, é o “paradoxo de Skynet” – em que ela foi criada a partir de um robô achado (destruído) em 1984 que serviu de modelo para sua criação (em 1995), mas a pegadinha é que este robô veio do futuro (2029). E quem o criou no futuro? Skynet. Se você não conhece essa história, que é o tema principal da série, ou não viu os filmes, pare o texto e vá vê-los.

Voltando ao raciocínio – sugiro que respire fundo para ler a próxima frase – A Skynet cria um robô e o manda de 2029 para 1984, ele é destruído e usado como base para criar um sistema: Skynet, que 30 anos anos depois cria um robô e o manda a 1984 quando ele é destruído e usado para servir de base para um novo sistema chamado Skynet que trinta anos depois cria um robô que é mandado a 1984 e por aí vai (perdoem a redundância e mal uso do português)

Resumindo: Quem veio primeiro? O passado ou o futuro?

Se você escolher o passado como início, estará “errado” visto que o futuro vem antes do passado… Mas, escolher o futuro primeiro acarretará em uma resposta (também) errada, pois o futuro, logicamente, precisa vir de um passado. Dentro desta lógica, que se exclui mutuamente, acho que continuações do filme são desnecessárias e falharam em geral.

Quero fazer uma análise dos filmes e série do Exterminador do Futuro hoje, 19 anos após o fim do mundo (na cronologia interna dos dois primeiros filmes).

Exterminador do Futuro Genesys Máquina do Tempo

Os dois primeiros filmes são muito inteligentes e me lembram muito o conceito matemático de “paradoxo”. Segue um exemplo de paradoxo lógico:

Marquem V ou F:

  1.  2 + 2 = 4  (_)
  2.  5 + 5 = 6  (_)
  3.  Temos dois itens falsos.    (_)

A “letra C” nunca poderá ser acertada pois ambas respostas a ela (VFF ou VFV) darão sempre “errado”. Da mesma forma, Exterminador do Futuro não é um filme para se “entender” como resultado contínuo de “passado -> futuro”, mas se questionar sobre ciclos (loops), sobre lógica, sobre tempo, sobre paradoxo. Fazendo uma piadinha, é como tentar dizer (desconsiderando evolução e árvores genealógicas) quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?

Vamos então ao paradoxo principal do “LOOP” – aquele que vos chateei logo acima “repetindo, repetindo, repetindo e repetindo” a ideia de que o passado (1984 – 1997) é fruto de algo que veio do futuro (2000 – 2029), e vice-versa. A história do primeiro filme é um paradoxo já usado em outras obras, sendo por exemplo a base da trilogia “De Volta Para o Futuro” (1985, 1989 e 1990), onde alguém que voltou no tempo modifica/cria o passado – ambas séries de filme trabalham com a ideia de que o passado existe e é possível voltar a ele através de máquinas do tempo. Mas, para deixar a coisa mais confusa e aumentar a sagacidade da mesma, no segundo filme (T2), o Sr James Cameron introduz outro paradoxo mais complexo ainda: Você se lembra do robô do primeiro filme? Sim, aquele que foi destruído? Ele é a base para criação da Skynet. O futuro é resultado direto do passado ASSIM COMO o passado é resultado direto do futuro – ao mesmo tempo! Se você nunca ficou confuso ou se questionando sobre linhas temporais ou paradoxos, você não parou para pensar no conceito de paradoxo lógico que dei um exemplo no V ou F logo acima.  

Exterminador do Futuro 2 O Dia do Julgamento

No segundo filme, para piorar a confusão, Cameron decide fechar seu paradoxo temporal resultando na “nossa normalidade padrão de tempo” onde este (o tempo) é lógico e linear – não quero discutir teorias deterministas ou “teorias do caos” sobre o tempo, fiquemos no “normal”. Em 1995, data em que se passa o segundo filme, o robô que é personagem de Schwarzenegger (Exterminador modelo T800) encerra o paradoxo destruindo a si mesmo. Assim, erradica então a possibilidade do nascimento da Skynet. Ele interrompe o ciclo. Fecha o loop. Como se realizasse uma operação matemática entre dois paradoxos resultando em 1 ou 0.

Perdão a todos se estou prolixo e analisando com minha matemática “meia boca”, mas precisava passar por essa ideia para começar a falar do universo de O EXTERMINADOR DO FUTURO.

Vamos focar neste paradoxo, que é o tema principal do filme e estou chamando aqui de “loop do futuro” – é a ideia de que a rede Skynet foi criada a partir de fragmentos de um robô que ela mandou do futuro para o passado.

Então, repetindo pela última vez: a Skynet não existiria se não tivesse mandado o robô para 1984. Assim como, se Kyle Reese não tivesse voltado, John Connor não existiria. Ambos são resultado de algo do futuro deixado no passado. Estou falando e repetindo o óbvio: Essa foi a grande sacada de Cameron que quebrou a ideia de linha continua de tempo atrelando o passado e o futuro, um ao outro, sem deixar claro de onde cada um começa e termina. “Ninguém veio primeiro”.

Para mim, as continuações tentam quebrar este loop focando nas coisas erradas:

Exterminador do Futuro A Rebelião das Máquinas

O Exterminador do Futuro 3 “A Rebelião das Máquinas” (2003)

O terceiro filme trabalha a ideia de que, ao contrário dos dois primeiros, o futuro é de alguma forma inevitável. Engenhoso, mas um pouco bobo. Revi o filme ontem a noite e ele não responde o porque a Skynet é exatamente igual, considerando que a data e forma de sua criação (seus criadores e até como foi a rebelião) mudaram. Se o futuro é inevitável, a princípio nem a data do fim do mundo deveria mudar! E ainda, podemos concluir que os humanos vencerão a guerra. A ideia de inevitabilidade do terceiro vai na contramão dos dois primeiros e os fazem inúteis – uma vez que a Skynet existirá independente de quem a criará. Nesta teoria, se a Skynet é a única constante em todos os filmes, quer dizer que John Connor também é constante? E porque o nome dela é Skynet? e repito: como ela tem os robôs no mesmo formato e o futuro acontece igual, sendo que o começo e o processo que leva até lá são diferentes?

Sennhoras e senhores, não faz sentido com Skynet evolui SEMPRE da mesma forma! 

(que para mim, ESSE é o MAIOR PROBLEMA em TODAS AS CONTINUAÇÕES).

Vou exemplificar rapidamente:

Se um casal qualquer tiver um filho hoje ou daqui a 6 anos:

– Ele terá a mesma estrutura física? Será idêntico se for gerado hoje ou daqui a 6 anos? Será do mesmo sexo?

– Terá a mesma vida? Passará pelos mesmos acontecimentos?

Muito provável que nem tenha o mesmo nome. É praticamente impossível que caso a Skynet fosse feita em outro período e por outro grupo de pessoas, tivesse, ainda sim, sempre as mesmas características que a versão apresentada na história original de Cameron (primeiro e segundo filme). E caso as tivesse, o que é ridículo do ponto de vista lógico, o que fazemos não faz diferença. Portanto, resta aos humanos resistir e esperar até 2029, vencer Skynet (baseado em destino e não dedicação para vencê-la) e a vida continua. E F@#!# para “o futuro é o que você faz dele”, MENTIRA, espere sentado que irá acontecer tudo sempre da mesma forma.

Se vamos admitir que o futuro é inevitável, Skynet é mais tonta que nós, pois insiste em continuar mandando robôs sendo que o futuro já está escrito. E se for imutável, temos que admitir que só foram mandados três robôs (dois T800 e um T1000) e os humanos venceram a guerra. Simples, se as variáveis são sempre fixas e constantes, consequentemente, o futuro e o passado tem que ser constantes. É um conceito simples: o que é, é! Por tal, sempre será e sempre foi de tal forma a não ser que uma força aja (ou tenha agido) sobre ele para que este mude – não, as coisas não acontecem por acontecer, muito menos se movem por mover; Elas interagem entre si e seguem a princípios simples e universais.

A impressão que tenho do terceiro filme é: “vamos ganhar dinheiro explorando os personagens que todo mundo gosta”. O filme é construído em torno de um “ponto de vista arcaico” onde tudo é universal menos o que lhes convêm, de forma que além da guerra ser inevitável, eles mantém os robôs sendo os mesmos simplesmente porque a guerra acontecerá. $$$$$$$$$! Parece até que a Igreja medieval escreveu e explicou o filme… ou talvez a Inquisição Espanhola! E “Ninguém espera a inquisição espanhola! Ninguém!“- Dizia o personagem “Cardial Ximénez” de Monty Python.

Além de: Quantas mais máquina do tempo existem no futuro? Toda hora vem outro robô, cada vez mais equipado e espalhafatoso que o primeiro. Na próxima, favor enviar um com luzes de discoteca carregando “boom box” para animar festas.

As Crônicas de Sarah Connor

O Exterminador do Futuro: Crônicas de Sarah Connor

A série foi exibida pela Fox em 2008/2009 (pelo canal Warner aqui no Brasil) e contou com 31 episódios. A ideia aqui é que a Skynet garantiu “backups” de si, no caso, co-criadores além de Myles Dyson e a Cyberdyne. Mas essa ideia também é destruída pelo loop de T1 e T2, porque tudo que aconteceu entre os anos de 1995 e 2029 já é passado para o robô do segundo filme. Não teria como ele não saber desses planos b, c, d, e… Essa ideia de Skynet ter escondido informações sobre si de seus exterminadores, a fim de se proteger caso humanos os “hackeassem”  descobrindo seus reais planos e pontos fracos, também é interessante pois sabemos como humanos são inventivos e adaptam-se rapidamente. Ainda sim, tromba na mesma barreira: o robô do segundo filme saberia que dados foram escondidos. Lembrem-se que no primeiro filme é dito que os humanos tinham virado a guerra a seu favor e estavam esmagando a Skynet, então, mandar um robô ao passado foi um ato desesperado para tentar vencer a guerra.

Apesar dessa ideia de “paralelismo”, redundância de sistema e “backup” ser bem o que esperar de humanos inteligentes e maquinas, não parece provável que o T800 do segundo filme tivesse informação pela metade.

Exterminador a Salvação

O Exterminador do Futuro – A Salvação

O filme de 2009 bate nos mesmos problemas que estou repetindo insistentemente sobre Skynet ser idêntica e ter escondido informações dos humanos. Se este filme ocorresse como um episódio isolado da guerra (no futuro) e ter acontecido antes do robô do segundo filme ser mandado, ok, seria coerente. Mas não… Eles fizeram um cruzamento entre o terceiro, a série e os dois primeiros. Parecem dois filmes “esmagados, mutilados e compactos” em um, onde um deles tenta ser independente (um relato de algo acontecido em 2017, antes do segundo exterminador voltar a 1995) e o outro, é uma tentativa de continuar a história a partir do terceiro – quase uma salada de fruta das cenas e ideias dos primeiros filmes que o diretor/estúdio/produtor achavam ser as melhores, ou mais vendáveis. Contudo, consegue ser menos irritante que o terceiro.

Exterminador Genesys Poster

O Exterminador do Futuro: Gênesis

No filme de 2015, a ideia é que Skynet tinha guardado uma “carta na manga” para logo depois da vitória humana. Mais um argumento engenhoso como todos os outros, mas também bate no paradoxo do loop em que o robô destrói a si mesmo, portanto a possibilidade do nascimento da Skynet – o que de cara já põe por terra toda a ideia do filme. A fundação da história é que a Skynet evoluiu de uma espécie de “Google-Watson-BlueBook-Deus-Ex-Machina”… O que volta ao paradoxo evolutivo da Skynet: é improvável que ela evolua do jeito que conhecemos e faça OS MESMOS robôs! Se você nascesse em outro país e em outro ano, teria a(o) mesma(o) namorada(o), mesmos costumes, mesma vida que teve até hoje, falaria o mesmo idioma e teria a mesma face? Pouco provável, não é?

Resumo: As obras que foram feitas após os dois primeiros filmes, além de não terem nada a ver com a ideia de Cameron, tentaram circular e quebrar a história de diversas formas. Uma afirma que a guerra é inevitável. O que resulta em “destino escrito”. Então, os humanos ganham a guerra independente do que a Skynet faça. Em outra, a ideia foi dizer que a Skynet mandou para o passado “backups” ou escondeu projetos, mas isso se choca com a informação que o T800 nos dá no segundo filme sobre o histórico da Skynet – mesmo que ela tivesse mentido, o resultado do nosso presente é o passado daquele robô. Foi abordado também a ideia de um outro sistema vir a “evoluir” (e se transformar) em Skynet. Mas como todas acima, também não responde a pergunta que vos fiz antes: considerando que vários elementos mudaram (a data em que ela se torna consciente, quem a criou e a forma que ela foi criada), por que diabos ela é a mesma coisa? Sempre se chama Skynet? Ela tem os mesmos robôs? Do mesmo jeito!? Desculpe quem acha que isso faz sentido, mas não faz. Para mim, foram tentativas interessantes, mas tudo não foi nada a mais que tentativa de lucrar mais (dinheiro) em cima de personagens icônicos.

Então as produções que envolvem Exterminador do Futuro acabaram? E você me pergunta: “Seu herege idiota, você está dizendo que Exterminador do Futuro acabou?”

Não necessariamente.

MAS COMO ASSIM?

Qual é o fim dos dois primeiros filmes?

Qualquer um. Vamos ao que parece mais lógico e que foi o FINAL ORIGINAL de O Exterminador do Futuro 2 (que consta apenas na versão estendida do filme): John e Sarah Connor viveram suas vidas e foram felizes – acho até que viveram um pouco paranoicos com o futuro – e morreram naturalmente (ou em acidente de carro, doença, atropelamento, Aids… alguma morte “normal” do nosso mundo “normal”). A Skynet, como conhecemos, nunca existiu porque a família Connor e o T800 do segundo filme garantiram isso. Como a Skynet não existiu, não houveram mais as máquina dos dois primeiros filmes… O que coloca outra pulga em nossas cabeças: se não houve Skynet, não houve guerra, por tal, Kyle Reese não seria era soldado de John Connor no futuro; sendo assim, não houve resistência, muito menos maquina do tempo de Skynet e nem necessidade de voltar no tempo para vencer um “robô do mal”… Então, como é que John Connor nasceria/nasceu?

James Cameron, de novo, frita nossa cabeça porque ele mostra que no final do segundo filme, John Connor ainda existe, e junto com sua mãe, ainda se lembra do que acabou de passar – o passado de suas vidas até aquele momento, que era resultado do futuro onde a Skynet existia/existiu! E isso não foi apagado de suas mentes. Podemos nos questionar e pensar que “o loop foi fechado”. Mas ficaram inúmeras perguntas e o famoso: “Como diabos tudo isso começou?”

Para mim, todas as continuações falham porque insistem em continuar querendo quebrar o paradoxo sem abrir mão de conceitos simples como Skynet, Sarah Connor e John Connor.

E outro problema que me incomoda nas continuações é que elas estão mais preocupadas em quebrar os paradoxos que focar no tema principal de o Exterminador do Futuro: QUAL O TIPO DE FUTURO ESTAMOS CRIANDO?

Exterminador do Futuro 2 John, Sarah e T-800

Tio Robert, Sarah e John Connor fechando o “loop”

Aceitem, acabou a história “daquela” rede Skynet. Contudo, o terceiro filme, que considero horrível, aponta uma solução para uma continuidade (que não satisfaria os donos de estúdio que queriam lucrar mais com os personagens dos dois primeiros filmes). Esta continuação seguiria o tema principal dos dois Exterminadores do Futuro. 

Mais polêmica…

Quero levantar uma frase do terceiro filme: “o Dia do Julgamento é inevitável”. Falarei da única possível continuação que vejo para os os dois filmes originais de Cameron (o primeiro e segundo).

Quem jogou o jogo Bioshock Infinity (2013), conhece Elizabeth, a garota que tem o poder de abrir portais para realidades paralelas. No final do jogo ela lhe diz que não importando para quais “mundos paralelos” ela fosse, sempre havia “um farol, um homem e uma cidade”. Vou traduzir para quem não jogou Bioshock infinty: Não importasse para qual realidade paralela ela fosse, haviam elementos que eram constantes em todas elas. O que quero dizer com isso? Suponhamos que o “Dia do Julgamento” é que seja “O EVENTO INEVITÁVEL” (como diz o T800 do terceiro filme), e não a Skynet. Ou melhor dizendo, não teremos problema contra ela (a entidade Skynet), mas sim contra o QUE ela é, ou representa. Que independente do quanto mudemos o futuro, o “Dia do Julgamento” é inevitável. Quem ou o que é a Skynet? Uma rede neural de inteligência artificial autônoma criada pela Cyberdyne para o SAC-NORAD (Setores de Defesa Aérea do Departamento de Defesa dos E.U.A.) cuja função era controle e proteção do espaço aéreo deles. Quero frisar o termo “Inteligência Artificial“. A Skynet era: apenas nossa criação conhecida como “I.A.” (Inteligência Artificial ou A.I. em inglês)

“Nova… poderosa… ligada em tudo, confiada para rodar tudo. Eles dizem que ela se tornou esperta, uma nova ordem de inteligência. Então ela viu as pessoas como ameaça, não só as que estavam do outro lado. Decidiu nosso destino em um microsegundo: extermínio”

Kyle Reese – O Exterminador do futuro (1984)

Exterminador do Futuro A Salvação Fábrica T-800

Polêmica de novo! Então acho, sinceramente, que a continuação de T2 é um “mundo em paz”, onde a I.A. surgirá de outra maneira, terá outra forma, provavelmente também terá uso bélico (como todas as continuações sempre mostram) e em determinado momento, entrarmos em guerra com ela. Sendo assim, a resposta do paradoxo que o terceiro filme tenta introduzir e que entra em choque com a brilhante história de Cameron: O futuro é o que fazemos dele + O futuro é inevitável = Conflito contra máquinas (e não a Skynet). Só desta forma alguma continuação faria sentido.

Então qual é a continuação de Exterminador do Futuro 1 e 2?

Matrix!    

Matrix Sentinela
A nova versão do T800?

Ou Ghost In The Shell, Battlestar Galactica, Eu Robô ou qualquer outra obra onde humanos e robôs entrem em guerra, pois independente do que façamos, iremos sempre duelar contra nossa criação. Acho que o terceiro filme, que na minha opinião é o pior de todos, foi o que chegou mais próximo de quebrar o “loop”. Mas como disse antes, eles ficaram muito preocupados em vender bonecos do T800, Schwarzenegger, John Connor e criar mais uma franquia para (apenas) explorar financeiramente. E outra vez, parabenizo James Cameron que complicou a vida daqueles que querem filmar reboots e continuaçõs – apenas lucrar com novos produtos da série.

Sou fanático com o universo do Exterminador do Futuro (até o segundo filme), apaixonado com o design das máquinas e gostaria de ver novos exterminadores pelo resto da minha vida! Mas para mim, como vos disse antes, essa insistência em querer sempre ter John, Sarah, Skynet e os T800, T1000 e outras variações que funcionam bem em C.G. (ou novos bonecos), além de usarem argumentos risíveis e até patéticos para continuar a história são um tiros no próprio pé e apenas caça niqueis – usar personagens conhecido para ganhar dinheiro. Entendo que “novas gerações” estão sendo apresentadas a obras consideradas clássicas, mas sério, a solução não é repintar todos os quadros dos grandes pintores, regravar discos míticos ou refilmar clássicos do cinema (como Alien, Aliens, E.T., De Volta Para o Futuro, Apocalypse Now, Poderoso Chefão e outros vários)… Esta não é a melhor forma de apresenta-los a quem não os conhece. “Reboot” de filme ruim, ok, mas de filme bom? Me poupe né…

Provavelmente daqui a 20 anos estaremos falando de Exterminador do Futuro 1 e 2. O resto, se forem lembrados, serão apenas sombras… piadas…

Desculpem meus queridos, mas depois de T2 (a não ser que seja universo paralelo), a Skynet que conhecemos já era. E a nova “Skynet” será completamente diferente, haverão novos John Connors (Neo por exemplo). 

Algumas ideias boas vieram de todas as continuações, mas ainda chamo a atenção para a maior crítica de O Exterminador do Futuro: robôs bélicos completamente autônomos.

Inteligência Artificial e IJCAI

A vida imitando a arte e a arte imitando a vida?

Fica a aí a dica sobre a carta aberta da IJCAI (International Joint Conference on Artificial Intelligence – Conferencia Internacional Conjunta sobre Inteligência Artificial) que pede que sistemas bélicos com I.A. não sejam completamente autônomos. Um documento assinado por alguns dos mais famosos cientistas/criadores da era moderna como Stephen Hawkins, Elon Munsk e Steve Wozniak. Fica como curiosidade as discussões sobre Robôs assassinos no Forum Econômico Mundial em Davos deste ano, a campanha internacional para não se construírem robôs assassinos e o Comitê Internacional para o Controle de Armas Robóticas.

Exterminador do Futuro Guerra em 2029
“O futuro é o que fazemos dele”

O Exterminador do Futuro é uma história complexa, crítica e sombria sobre um possível futuro que é obra de nossa irresponsabilidade. As continuações só se preocupam em “seguir a história” e ganhar dinheiro; abandonam a ideia principal de que a história do filme é sobre nossa ignorância em achar que não precisamos ser cuidadosos com nossos atos. Espero que o que falei neste texto seja apenas ficção científica, apenas um filme e que nunca sigamos para um futuro com algum tipo de “Skynet”. Mas, fico pensativo quando a Inglaterra se posiciona a favor de robôs de guerra autônomos… e que em nossa arrogância continuamos achando que somos o centro do universo e que nada de ruim possa acontecer conosco! Nunca.

Será que o “Dia do Julgamento” de Exterminador está chegando?

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Mark "Yo"

O autor Mark "Yo"

Um servo das trevas... WOLOLO!!! Um servo da luz! Banido do império Shi'ar e Liga da Justiça Antártida por incompetência. Finge que gosta de HQs, música, cinema, séries, jogos, ciência, mas minha vida se limita a difundir o extreme ironing!