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A NASA não sabe o que fazer com o cocô dos astronautas

Peço antes de mais nada, que você analise o seguinte diálogo:

– Rápido! Alguém me arruma um guardanapo! – diz o Comandante da Apollo 10, Tom Stafford. Ele continua: – Tem um cocô flutuando no ar!
– Eu não fiz isso, não é dos meus! – responde John Young, comandante do módulo de transporte.
– Eu não acho que seja um dos meus. – Acrescenta o piloto do módulo Gene Cernan, após olhar atentamente a coisa se movendo no ar.
– O meu era um pouco mais pegajoso que esse. Joga isso fora! – Disse Stafford. No momento em que Young começa a resolver o problema, ele grita “Deus todo poderoso! ”. Todos começam a rir.

Pode parecer engraçado, mas essa é a transcrição de uma conversa real de uma tripulação da NASA no ano de 1969 a respeito de um cocô fugitivo durante uma viagem em gravidade zero até a lua. Apesar do bom humor, se trata de um bom exemplo de como a fisiologia humana pode atrapalhar e até colocar em risco uma missão no espaço.

Com os olhos não apenas da agência americana, mas de empresas particulares em Marte e além, é necessário pensar nesse ponto tão delicado. A Estação Espacial Internacional já gerou todo um conhecimento acerca desse trabalho, mas quando pensamos em exploração de novos planetas, é preciso lembrar que os astronautas passarão muito tempo dentro dos seus trajes. Aí está o problema: como lidar com fezes, urina e menstruação nessas situações?

Vista Terra Cocô no Espaço

A agência espacial americana também não tem certeza, e para transformar o tópico em uma discussão compartilhada, ela está oferecendo 30.000 dólares através de um site de financiamento coletivo para quem resolver esse problema. Basicamente ela escreveu: “Estamos à procura de soluções para sistemas fecais, de urina e menstruação a serem utilizados no uso contínuo de até 144 horas. Um sistema de gestão de resíduos será benéfico para cenários de contingência ou para quaisquer tarefas de longa duração”.

Além disso, é uma exigência que o sistema consiga ser implementado pelo usuário em cinco minutos. Complexo.

Pense nas fraldas geriátricas que sempre falamos durante os episódios do MegaProsa, mas com altíssima tecnologia de manipulação de resíduos.

Esse é um bom exemplo da complexidade da vida fora da órbita terrestre.  Se o ato de ir ao banheiro (ou mesmo fazer dentro do uniforme) se mostra um grande problema, todo trabalho de colocar um foguete nos céus ganha uma nova proporção, não é mesmo?

Tem uma boa ideia? Não deixe de enviar para a NASA. Esse cheque pode ser seu!

Para mais informações sobre espaço e tudo o mais, fique ligado no Rota42 e em nossas páginas do Facebook e Twitter.

Tags : BoeingEstação Espacial InternacionalNASASpaceX
Thomaz Maioline

O autor Thomaz Maioline

Leitor de ficção cinetífica, hi-tech afficionado, fã de Seinfeld. Fanático com música, livros e quadrinhos. Caçador de barganhas.