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Cinema e TVReview

Review | Preacher – Temporada 1

Um pastor com um passado nebuloso é atingido por uma energia divina que lhe entrega algo próximo a voz de Deus. Ao mesmo momento, surgem na sua vida sua ex-namorada, agora uma assassina profissional, um vampiro irlandês, anjos texanos e toda uma cidade mergulhada em estereótipos da sociedade moderna. Um pouco diferente do premiado quadrinho criado por Steve Dilllon e Garth Ennis, a série Preacher do canal AMC é uma grata aventura sustentada por situações absurdas e grande atuação dos seus protagonistas.

Adaptado para a TV pelas mãos de Evan Goldberg, Sam Catlin e Seth Rogen (sim, ele mesmo, o ator mais conhecido pelas comédias de Judd Apatow e parcerias com James Franco) Preacher parece funcionar como uma prequela para a própria história em quadrinhos, já que a série de TV termina no exato momento em que a outra se inicia. Para os fãs dos quadrinhos essa é uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo em que é uma nova chance de encontrar os personagens – que estão muito bem caracterizados – cria-se toda uma expectativa para que a história se inicie de fato.

Personagens

Jesse Custer (Dominic Cooper) é um pastor (Preacher) que está em um processo de perder sua fé na igreja, ação que gera influência direta em sua capela, com fieis cada vez mais sonolentos aos domingos. Sua vida parece mudar de fato quando ele é atingido por uma energia cósmica que o deixa desacordado por três dias. Quando acorda, Jesse agora possui a voz de Deus. Determinadas coisas que ele diz agora funcionam como ordens absolutas na mente das pessoas. O problema disso é a forma como cada pessoa entende a mensagem. “Vá para o inferno” ou “Abra o seu coração para a sua mãe” podem ter leituras diferentes para cada pessoa.

preacher-jesse-cassidy

Nesse cenário curioso entram duas peças importantes para a condução da história, Cassidy (Joseph Gilgun) e Tulipa O’Hare (Ruth Negga). O primeiro se mostra um vampiro irlandês que parece fugir constantemente de grupos de caçadores de vampiros, de tão acostumado com esse tipo de situação, ele parece se divertir com a violência e carnificina.

preacher-tulipa

Tulipa é a ex-namorada de Jesse, nascida de uma família problemática, teve de se virar para sobreviver, mas tenta convencer o Preacher a terminar uma história antiga com um inimigo comum. Aqui temos um caso em que a etnia da personagem foi alterada da obra original, mas Ruth Negga trouxe tanto carisma para a personagem que se torna impossível imaginar outra atriz no papel. Fique tranquilo, outro personagem muito marcante dos quadrinhos não foi esquecido:

Preacher Cara de Cu

Annville

Na cidade de Annville temos de tudo, de pedófilos em formação a empresários absolutamente (e grotescamente) inescrupulosos. Um ou outro acaba procurando Jesse em busca de perdão por seus atos, mas até quando o homem consegue segurar todo aquele mal sem fazer absolutamente nada? Mesmo para quem possui fé, as palavras da bíblia continuam sendo apenas palavras.

Como estamos falando de Deus, precisaríamos de anjos, não é mesmo? Inicialmente misteriosos, os anjos DeBlanc e Fiore são responsáveis por grandes momentos. Seja a forma como tentam retirar a energia de Jesse, ou utilizando da ajuda do pastor para destruir um enviado dos céus de terminar o serviço que não terminaram (considero esse um dos grandes momentos do ano, lembrando muito coisa que se vê em obras de Quentin Tarantino).

Preacher Luta

São esses anjos que explicam o que está dentro de Jesse: uma criatura chamada Gênese, o filho de um anjo e de um demônio. Uma pena a produção não conseguir reproduzir essa história de maneira visual como o quadrinho, seria muito interessante apesar de esbarrar diretamente com o orçamento da produção.

Durante toda essa busca, somos apresentados a um personagem nos tempos do Velho Oeste, um homem com passado misterioso, que em sua nova vida, apenas procura conseguir o remédio para salvar a sua filha doente. Uma pessoa que já extrapolou os limites do que um ser humano consegue suportar. Quando perguntado por um garotinho se a Terra em que vivemos é o céu, ele não hesita em responder que “Não, estamos todos vivendo no inferno”. Claro, graças ao esforço dos céus para conseguir o Gênese, esse homem irá cruzar o caminho de Jesse Custer.

Preacher DeBlanc Fiore

Dentro da clássica simbologia do bem versus o mal, Preacher trata de assuntos muito frequentes na nossa cultura ocidental, situações muito frequentes na vida de todos nós. Há de se perguntar o quanto da obra original pode vir a ser cortada nessa adaptação para a TV em suas próximas temporadas, seja pela pura violência – que está longe de ser gratuita – ou mesmo pela forma como a igreja católica é retratada.

Preacher – O futuro

Para quem está conhecendo Preacher através da série, pode ser uma viagem surreal muito agradável. A química do trio principal foi levada com muita competência para a telinha e o espectador acaba torcendo para que Jesse, Cassidy e Tulipa apareçam para dar o ar da graça. Para os fãs dos quadrinhos, como eu, percebe-se que a série poderia ser mais curta. Há certa enrolação em determinados momentos, onde os dez episódios poderiam muito bem ser reduzidos para sete ou oito, principalmente se levado em conta todo o conteúdo do material original.

Depois de todo o susto e boas risadas (para quem gosta de humor negro), a primeira temporada de Preacher termina como a revista começa, com a expetativa de uma grande jornada do trio principal. Todos querem o Gênese que está dentro de Jesse Custer, mas o pastor e seus amigos possuem planos maiores para todo esse poder.

Para mais informações sobre Preacher e outras séries de TV, fique ligado no Rota42 e em nossas páginas do Facebook e Twitter.

Tags : PreacherSérie de TV
Thomaz Maioline

O autor Thomaz Maioline

Leitor de ficção cinetífica, hi-tech afficionado, fã de Seinfeld. Fanático com música, livros e quadrinhos. Caçador de barganhas.