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Review | Stranger Things

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Uma viagem no tempo chamada Stranger Things

Nostalgia, palavra que pode ser definida como um sentimento de saudade a partir das lembranças que temos dos momentos felizes do passado. E para quem tem entre 30 e 40 anos, a década de 80 costuma ser o seu lar legítimo.

Tendo isso em mente, os irmãos Matt e Ross Duffer, idealizadores da nova série original da Netflix, resolveram criar algo para homenagear este período, pois ao mesmo tempo que é muito querido para várias pessoas, é também o berço de várias obras que influenciaram a cultura pop nos anos seguintes.

E este é o proposito e principal força de Stranger Things, ser uma grande viagem pela década de 1980 – e as referências são tantas que fica fácil passar distraído por várias delas.

Menos Spielberg, mais Stephen King

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Quando começaram a sair os materiais de divulgação sobre a série, seus criadores a definiram como um encontro de Steven Spielberg, John Carpenter e Stephen King, fazendo alusão a obras como Goonies, E.T, O Enigma de Outro Mundo, Chamas da Vingança, entre outras histórias marcantes daquela época.

Especialmente nos trailers, ficava a impressão que esta nova série seria um retorno a obras como “Conta comigo” de 1986, porém, com um pano de fundo inspirado nos filmes de terror da década 80.

Mas o que se vê na série é o inverso: em uma decisão acertada, a trama de Stranger Things tem muito mais das obras de terror do que de obras infanto-juvenis daquela época, embora estes também estejam presentes.

Desse modo, considerando a idade do público alvo hoje, os produtores conseguem um maior envolvimento com o seu público que inegavelmente prefere uma trama mais “trabalhada” do que somente um drama infanto-juvenil.

Goonies encontra O Enigma de Outro Mundo

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São muitas as inspirações e para isso Stranger Things se divide em dois núcleos, cada um com uma função específica a ser desempenhada na trama.

De um lado temos o núcleo mirim, composto pelos amigos do jovem desaparecido Will e a personagem Eleven. Este grupo evoca o lado aventureiro na obra e são frequentemente usados como alivio cômico da série.

Já o núcleo adulto, com Winona Ryder (Garota Interrompida) e David Harbour (The Newsroom), move a trama cheia de mistérios envolvendo uma agencia do governo, experimentos secretos e monstros de outro mundo.

Da mesma forma, cada núcleo faz suas próprias referências a obras do passado, enquanto o núcleo mirim procura emular frequentemente filmes como Goonies, Conta Comigo e E.T, o adulto por sua vez, vai para o lado de Poltergeist, O Enigma de Outro Mundo e até mesmo Tubarão!

No núcleo mirim, podemos citar os destaques: Gaten Matarazzo e Millie Bobby Brown.  Matarazzo dá um show de carisma com seu personagem “sem dentes” Dustin. Engraçado e cheio de analogias entre as situações vividas e diversos aspectos da cultura pop – como filmes e revistas em quadrinhos. Já a jovem atriz Millie Bobby Brown entrega uma boa performance para a sua misteriosa e traumatizada personagem, “Eleven” – ou 11 em português, mas eu me recuso.

Dentro do núcleo adulto, que é responsável por mover a trama, temos os personagens de David Harbour, o Jim Hopper, chefe de polícia da pequena Hawkings, Winona Ryder e sua fragilizada Joyce, mãe do personagem desaparecido e Matthew Modine (Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge), com o seu enigmático e frio (bem clichê. bem anos 80) Dr. Brenner, o vilão da série.

Com uma atuação bem honesta, Harbour consegue nos mostrar um convincente pai traumatizado pela morte da sua filha. A sua busca pelo jovem Will é transformada em uma cruzada pessoal, já que nada pôde ser feito pela sua filha.

Porém, eu tenho um problema com a personagem de Winona Ryder. A atriz até consegue passar com competência uma mulher desesperada para encontrar seu filho, mas a maneira como ela foca a sua energia acabou por deixa-la as margens do desenvolvimento da trama. Ficando a cargo do personagem de David Harbour essa tarefa quase que sozinho. O que é uma pena, pois Winona merecia um tempo de tela mais…relevante na trama.Gostaria de ter visto sua personagem com uma participação mais ativa no desenrolar da história.

Sucesso vindo do passado

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A nova série original da Netflix é um sucesso que aposta no passado como forma de conquistar o futuro. E talvez por não ter medo de se assumir como uma homenagem ao passado, Stranger Things consegue ser mais que uma simplesmente “exumação” de obras antigas. A série traz de volta uma forma de ser fazer televisão/cinema que não existe mais nos dias hoje, onde tramas com diversos “tons de cinza” e personagens dúbios ditam os termos.

Indo nesta contramão, a obra dos irmãos Duffer, assim como os trabalhos que emula, trata de heroísmo, elos de amizade e laços familiares, que apesar de serem retratados de forma fantástica, continuam com a capacidade de cativar os fãs.

Seu sucesso tanto com a crítica quanto com o público, mostra que esse tipo de obra ainda tem o seu lugar. E este lugar, pelo menos no Rota42 ja é de clássico, e de uma promessa como revela o Morato:

Para mim Stranger Things superou todas as expectativas. Acabou sendo um filme de 7h no lugar de uma série de 8 episódios porque não consegui tirar os olhos da tela e assisti todos os episódios de uma vez só. Mais uma vez a Netflix acertou, e praticamente nos obriga a fazer um podcast sobre a série futuramente, afinal uma homenagem dessas a década de 80 não pode passar sem uma discussão no MegaProsa!

Para mais informações e reviews sobre série de TV, fique ligado no Rota42.

Tags : críticaNetflixSeriesStranger ThingsStreaming
Tony "Gago" Borges

O autor Tony "Gago" Borges

Amante de tecnologia, leitor de quadrinhos, gamer razoável e compulsivo por séries nas horas vagas.