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Review | The Crown – A melhor coisa que a Netflix fez até hoje?

De forma súbita, uma família é colocada em um dos postos mais importantes do planeta. Imediatamente, o patriarca precisa lidar com um dos maiores conflitos da nossa história. Anos depois, a filha mais velha, sucessora de seu pai, precisa aceitar o fardo que lhe é conferido: ser a rainha da Inglaterra em um mundo repleto de mudanças sociais e tecnológicas.

The Crown (A Coroa) é uma série de TV idealizada por Peter Morgan, roteirista de cinema conhecido por grandes trabalhos como “A Rainha”, “Frost/Nixon”, e “Rush – No Limite da Emoção”. O mesmo empenho na criação de ambientes dessas obras pode ser revisto aqui. Seja o Palácio de Buckingham, a Abadia de Westminster ou até mesmo as casas de campo da família real. Tudo é criado com muito esmero, convencendo o expectador de que tudo aquilo é real. A primeira temporada explora o período de 1947 até 1955.

The Crown Rainha Elizabeth

A Elizabeth Windsor de Claire Foy é uma mulher que nos faz importar com ela. Os seus olhos são os nossos, aprendendo a cada momento a grandeza daquele posto de rainha, mas também todo o peso de uma pessoa que precisa abdicar da sua vida, de seus desejos e amores por conta daquele símbolo cravejado de diamantes. Mesmo cercada por todo um contingente de serviçais, a rainha aparece quase sempre sozinha e contemplativa dentro de grandes salões. Diante de si, a sua única companheira: uma caixa com informações burocráticas de toda a nação inglesa e da Commonwealth (lembre-se, nessa época a Inglaterra ainda é dona de boa parte do mundo).

O que seria uma história sobre a Rainha Elizabeth sem a família real? O seu pai, o Rei George VI (Jared Harris, inspiradíssimo) se mostra um homem sábio e sereno, porém cansado. É fácil ver no personagem as consequências do seu curto reinado – principalmente diante da situação que enfrentou, a Segunda Guerra Mundial. É tocante acompanhar o avanço da sua doença, que por motivo da sua posição, acaba por ser escondida até de sua própria família.

The Crown Elizabeth e George

Através de sua esposa, conhecida depois como “A Rainha Mãe” (Victoria Hammilton), é possível ver suas desavenças com Edward VIII (Alex Jennings, em momentos de atuação incríveis), o rei que abdicou e colocou George naquele posto indesejado. Elizabeth acaba por ser a única a tentar uma reunião com o tio, já que precisava de conselhos de como conduzir certas situações em seu reinado. Uma dessas situações é encabeçada pela sua irmã, a Princesa Margaret (Vanessa Kirby, divertidíssima) já que ela deseja se casar com um homem casado, algo proibido pela igreja que tem como a rainha Elizabeth a sua representante máxima.

Mais um ponto interessante em The Crown é a relação da Rainha com o seu marido, o Príncipe Philip (Matt Smith, sempre competente). Percebe-se que ele não estava esperando que a mulher se tornasse aquela líder forte e independente. Quando os seus caprichos (e o da sua família) são colocados de lado em nome da família Windsor, ou do seu machismo ao precisar se ajoelhar perante sua esposa são um momento à parte. Claro, a cena de nudez de Matt Smith jogou os fãs de Doctor Who no chão. Ainda, é curioso questionar se os tabloides que exploram a família real não nasceram nesse período. É uma família como todas as outras, seja com seus defeitos ou virtudes.

the-crown-casamento-real

Agora, a relação de Elizabeth com o mitológico Winston Churchill é um capitulo à parte. John Lighgow está simplesmente fantástico como o primeiro-ministro inglês. Falo aqui da robustez de um senhor de idade que não quer sair da esfera do poder, que mesmo com todos criticando seus metodos antigos e idade avançada, ele está ali, pois a nova rainha, e a coroa como instituição, precisam dele mais do que nunca.

Por se tratar de uma série baseada em fatos reais, o valor de produção se compara com o de melhor que a Netlix fez até hoje, equiparando-se com House ouf Cards (onde você parece estar mesmo dentro da Casa Branca). Parece que estamos realmente nos arredores do Palácio de Buckingham na década de 1950. Além disso, os detalhes dos personagens como tropeços, reverências súbitas (vez ou outra a família real pega seus súditos de surpresa) ou a ajuda para que os mais velhos se levantem são chamativos. Como dito, são detalhes, mas ajudam a enriquecer a história que está sendo contada.

The Crown Season 1

The Crown promete contar a história de seis décadas da Rainha Elizabeth. A Segunda temporada já foi confirmada e deve estrear em algum momento de 2017 ainda com Claire Foy (ainda bem!). Espera-se que outras atrizes assumam o papel em temporadas futuras. Agora um fato curioso: muito se diz que The Crown é a série mais cara que a Netflix já fez, mas Peter Morgan deixou claro que os US$ 100 milhões são referentes a duas temporadas.

Voltando a afirmação lá de cima, sim, The Crown é a melhor produção da empresa de streaming. Com o seu outro medalhão House of Cards possivelmente chegando ao fim, é de se esperar que surjam novos trabalhos de qualidade máxima da parte dela. No final das contas, The Crown foi uma surpresa extremamente bem-vinda!

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Tags : NetflixSéries de TVThe Crown
Thomaz Maioline

O autor Thomaz Maioline

Leitor de ficção cinetífica, hi-tech afficionado, fã de Seinfeld. Fanático com música, livros e quadrinhos. Caçador de barganhas.