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Cinema e TVReview

Review | The Night Of (uma das melhores séries de 2016)

Depois de assistir a mais um grande trabalho da HBO, The Night Of, fica fácil de entender porque ela é uma das séries mais importantes de 2016 e um trabalho que precisa ser lembrado dentro dessa mídia de consumo. Com uma história densa desenrolada após um primeiro episódio de tirar o fôlego, a obra conta com apenas oito episódios; e só. Nada de espera por uma segunda temporada ou analisar furos deixados pelos personagens. Estamos falando basicamente de um (ótimo) filme longo.

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The Night Of conta a história de Nasir “Naz” Khan (Riz Ahmed), um estudante americano com descendência paquistanesa que leva uma vida tranquila até ser convidado para uma festa. Como um amigo desiste de ir, ele pega escondido o taxi em que o pai trabalha e sai de casa, só para encontrar uma garota misteriosa, consumir drogas, e ao acordar, se deparar com essa nova amiga esfaqueada em cima da cama. O pior é que Naz não possui lembrança de ter feito aquilo – e isso tudo acontece apenas na metade do primeiro episódio. A partir desse momento que entra em cena John Stone (John Turturro), um advogado de porta de cadeia com um eczema super desagradável nos pés – e que não faz a menor ideia no que está se metendo.

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Apesar do primeiro episódio eletrizante, há um receio inicial de The Night Of se tornar uma série sobre tribunais, o que não é mentira, mas tudo acontece de uma forma inteligente que prende o expectador na cadeira. Seja a forma como os fatos são colocados – mostrando que a situação é muito mais complexa do que aparenta, o histórico dos personagens – com os muçulmanos sofrendo preconceito desde o 11 de setembro; problemas familiares, e claro: pessoas. De nada seria uma boa série sem pessoas e seus momentos de glória.

Naz é uma pessoa que a todo momento é sufocada pelo sistema. Policiais, advogados e promotores públicos, todos o consideram culpado, uma situação potencializada pela mídia, onde seu rosto aparece em programas de TV, jornais e revistas ao lado da palavra assassino. É tocante como é explorada a natureza de Naz, um jovem comum com sonhos, ambições e caráter, mesmo dentro de um mundo que o força e desistir a todo o momento. Basta perceber logo no primeiro episódio ele assistindo com atenção aos colegas jogando basquete, algo que ele adoraria fazer, mas não pode por ter asma. Duas pessoas parecem acreditar nele até o fim: seu pai e o seu advogado, John Stone. Aqui temos o outro ponto, um advogado desacreditado, trabalhando nos lugares mais sujos da justiça ao preço fixo de 250 dólares. Uma pessoa que por viver nesse ambiente entende o que é o ser humano.

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O realismo de situações e emoções impressiona, mostrando que realmente, somos criaturas em uma relação intima com o ambiente em que vivemos. Seja a forma com que a humilde família de Nasir Khan é oprimida pela sociedade de várias formas; como a polícia deseja o pior para um acusado (mesmo sem provas); toda a pressa para se ter um resultado ou um culpado, ou como uma mão amiga pode surgir nos cantos mais obscuros. Não importa se tratar de uma obra sobre conflitos medievais ou um parque com androides, a história é sempre sobre pessoas. Sempre.

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A qualidade geral HBO está lá, mas algo muito importante de se lembrar é a duração da série. Em um momento em que o mercado de séries de TV vive os seus dias de ouro, é curioso destacar esse detalhe. Muitos shows costumam se arrastar por anos, apenas reciclando ideias e não oferecendo nada de novo, transformando uma ideia inovadora ou simplesmente atrativa em algo tedioso para o público. The Night Of poderia ser continuado com um foco diferente ao do personagem Naz, de várias formas na verdade, mas os produtores preferiram encerrar a história por aqui. Segundo eles, ela está completa.

Espero que um modelo como esse seja abraçado pela indústria, já que uma história pulverizada em uma série muito longa tende a desgastar o público. Em uma época em que os espectadores não largam seus gadgets, até mesmo séries de 10 episódios por temporada já sofrem com grandes perdas de audiência de um episódio para o outro. Nos dias de hoje os serviços de streaming (grandes produtores de conteúdo) possuem uma liberdade extra de não precisar oferecer um determinado número de episódios para “completar a grade de programação”. Quem sabe aí não está um meio termo? A própria série Defenders do Netflix terá apenas 8 episódios, sendo que a empresa poderia capitalizar mais com um programa mais longo. Vamos tentar viver para ver, não é mesmo?

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Tags : HBOSéries de TVSuspense
Thomaz Maioline

O autor Thomaz Maioline

Leitor de ficção cinetífica, hi-tech afficionado, fã de Seinfeld. Fanático com música, livros e quadrinhos. Caçador de barganhas.