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GamesPCReview

Comparativo | Subnáutica VS No Man’s Sky

No Man’s Sky provavelmente será o game mais polêmico do ano. Isso porque ele abriu espaço para o debate de vários assuntos sobre a produção de um game: a imensa criação de expectativas, os gameplays e trailers exibidos pelas produtoras que não condizem com o jogo real, as políticas de devolução de dinheiro pelas distribuidoras, entre outros. Porém, ao invés de discutir esses aspectos diretamente, decidi usar um outro game como meio de comparação para falar um pouco desses assuntos. Subnáutica é um jogo que me chamou atenção no exato momento do fervilhão de reclamações e brigas sobre No Man’s Sky. Ele também é um game de sobrevivência “open world”, no qual o jogador é o único remanescente de uma nave espacial que caiu em um planeta desconhecido (no caso um planeta oceânico).

A verdade é que sou uma dessas pessoas que ficaram decepcionadas com NMS, talvez eu esperasse muito mais, talvez minha imaginação idealizou um jogo que nunca iria existir. Mas o fato é que no meio do meu desapontamento, Subnáutica apareceu para me mostrar que talvez o que eu queria em No Man’s Sky poderia existir. Portando, ai vão meus cinco motivos para se comprar Subnáutica e não No Man’s Sky. Sim, é isso mesmo que você leu.

Preço

Subnáutica custa quatro vezes menos que No Man’s Sky, e se pegarmos somente a quantidade bruta de conteúdo que ambos possuem, NMS já sai em desvantagem. Isso porque Subnáutica é um game no estágio “Early Acess” (ainda em construção, no Steam) e já possui 13Gb de arquivos, enquanto seu concorrente, somente 3Gb. Não que esse detalhe queira dizer que um game é melhor que o outro, mas vamos concordar que um projeto que promete ter um universo semi-infinito para explorar ter somente 3Gb de tamanho é no mínimo estranho. Hoje, No Man’s Sky está custando R$129,99, enquanto Subnáutica R$36,99. No decorrer do texto, guardem esses preços na cabeça para o caso de algum empate.

Ambientação

Ao começar a explorar o planeta de Subnáutica, fiquei encantado com a beleza e riqueza de detalhes que encontrei por lá. Não que No Man’s Sky não seja bonito, muito pelo contrário, uma das partes mais inspiradas do game está naquele momento que o jogador sai do planeta, chega no espaço e olha para trás. A imagem dos planetas como um todo com suas auróras e cores, é uma experiência singular.

Contudo, a beleza de Subnáutica esta no próprio ambiente interno. A textura da água (lembrem-se que estamos em um planeta oceânico) dá um show a parte. Os peixes parecem fazer parte do ecossistema, e as plantas e corais completam o cenário com cores e formatos – os jogadores podem interagir com quase tudo, seja para se defender, seja para coletar algum recurso importante. A diversidade do planeta estimula a exploração, desenvolvimento de novas tecnologias e possibilita diferentes tipos de gameplay – construir uma base em um recife de corais ou perto de um vulcão subaquático determina o uso de uma usina termal ou biológica, por exemplo. O planeta conta com uma variedade de ecossistemas com uma fauna e flora próprios de cada um.

                                                                          Novo patamar para textura de água

A ambientação de No Man’s Sky também não fica para trás no quesito beleza. Com uma paleta de cores fortes e váriadas e uma boa quantidade de partículas que passam na frente da tela, o game faz a tecla de “print screen” ser apertada várias vezes. E tudo bem que algumas vezes a coloração do planeta chega a não fazer sentido, mas nao ligo desde que meus olhos estejam gostando. Na verdade, o que para mim não faz sentido é que todos os planetas possuem a mesma gravidade. Isso sim é um crime e também um descuido dos programadores. E por falar em descuido, um dos fatos mais desagradáveis de No Man’s Sky está nos animais produzidos pelo método do procedual generation. Eles são um show de horror a parte, feitos de coração pelo Dr. Frankeistein. E nem acharia a feiura deles tão ruim se não fosse o fato de que os animais parecem não fazer parte do ecossistema. Eles parecem ter sido jogados aleatoriamente num planeta e estão tão ou mais perdidos que nós jogadores – um fato engraçado é que minha esposa acompanhou meus gameplays iniciais de NMS e depois de um certo tempo ela desistiu de assistir alegando que os animais estavam deixando-a triste.

Foco

Dentro do mundo dos jogos indie, percebi que quando mais simples um jogo pretende ser, melhor é o resultado final. A noção de foco é, dessa forma, uma ideia fundamental para a criação e produção de games com pouco recurso (seja financeiro, seja pessoal). Reparem por exemplo em games como Limbo, FTL, Darkerst Dungeons e FEZ. Na verdade, eu poderia citar diversos jogos outros que decidiram ser simples em suas pretensões e conseguiram construir obras primas de gameplay. E ai que está a chave para seu sucesso: o foco na jogabilidade. Tudo bem que alguns até são visualmente estonteantes (como FEZ), porém se percebe que as prioridades eram outras.

Tendo isso em mente, chegamos a No Man’s Sky e Subnáutica. Enquanto o primeiro pretende ter um universo inteiro a ser explorado, o segundo dá aos jogadores somente um planeta. Esse fato já faz toda a diferença no momento que um programador vai criar um game. Enquanto o foco de No Man’s Sky foi criar todo o aparato técnico para que um planeta seja construido do zero em questões de segundos (escreverei ainda nessa semana sobre o procedual generation), o foco de Subnaútica é criar o modo como os jogadores irão interagir e “viver” dentro de um planeta oceânico. E que fique claro que a maior conquista de No Man’s Sky é exatamente a programação criada para gerar um universo inteiro. É impressionante como não existe tempo de espera para se ir de um planeta a outro. Contudo, toda essa maravilha técnica não é mostrada no gameplay – pelo contrário, jogar No Man’s Sky torna-se uma experiência repetitiva e entediante após certo tempo. E por maior que seja o universo, qualquer jogador vai perceber que as estruturas, animais e NPCs se repetem de planeta em planeta (uma coisa que me incomoda profundamente são os pilares de ouro na superfície).

Momento que te faz falar “WOW”

Por outro lado, Subnáutica optou por reduzir sua área de exploração, conseguindo criar um mundo muito mais crível, que te convida a ser explorado sem se tornar repetitivo. E nesse último ponto, o gameplay ajuda (e muito!) o game a não se tornar entediante. Como falarei abaixo, cada descoberta tecnológica muda o modo como você interage com o ambiente, como também te empurra um pouco mais para explorar e coletar recursos.

Liberdade

As liberdades de No Man’s Sky são mais falsas do que parecem. Tudo bem que o jogador tenha um universo inteiro para explorar, mas a interação que temos com esse universo perpassa na sua maioria com o olhar. Não é tudo que pode ser tocado, as interações são mínimas (somente na superfície dos planetas) e nada pode ser construído. Esse último fato em especial é o que considero o mais problemático. Qualquer jogo com a temática de exploração e sobrevivência permite que você tenha no mínimo uma base – uma casa. Isso é importante para que o gamer tenha um senso de posse e de liberdade, como também estimula a exploração por novos materiais e tecnologia para aumentar sua qualidade de vida. Não tem nada mais prazeroso (pelo menso para mim) do que construir vários baús e ir estocando os materiais que julgo ser necessário no presente e futuro. E No Man’s Sky não te permite isso e ainda dificulta a vida dos jogadores com pouco espaço de armazenamento. Já parte do gameplay de Subnáutica está exatamente na construção de uma base subaquática que servirá de refúgio e de centro de operações. Até o estágio atual de desenvolvimento, o jogador pode construir tanques para armazenar as espécies de peixes locais, vários tipos de usinas de energia, um centro escâner de recursos, desalinisadores de água e muito mais.

Ambos os jogos possuem a ferramenta de escanear os seres vivos do ambiente. E em ambos isso não te acrescenta em quase nada. A vantagem que Subnáutica leva nessa parte está no fato de ser somente um planeta, ou seja, depois de certo tempo, todo o ecossistema já estará devidamente catalogado (boa sorte para os mais pacientes catalogar o universo inteiro de animais criados pelo Dr. Frankenstein em NMS).

Objetivos

No quesito história ambos os games ainda estão deixando a desejar. Enquanto em Subnáutica a narrativa (ainda em construção) gira em torno dos motivos da queda da nave no planeta desconhecido, a história de No Man’s Sky gira em torno de… argh… sentinelas? Centro da galáxia? Culto ao plutônio? Enfim, o fato é que não existe ainda um estimulador que faça os gamers desejarem continuar jogando. Porém, é no quesito sobrevivência que as coisas ficam mais desiguais. Como falei das liberdades,  a sensação que o jogador está sobrevivendo a um ambiente hostil em No Man’s Sky é também relativamente falso. E digo isso, porque durante meus gameplays, nunca precisei me preocupar muito com minha saúde – afinal, desde que você tenha um bom estoque de plutônio, você estará sempre seguro. Em Subnáutica já é diferente: além de morrer para a fauna agressiva do game, o jogador tem que estar atento para não morrer de fome, desidratado, de calor, ou afogado (obviamente!). E mesmo que pareça bem mais verossímil, esses detalhes são o mínimo que se espera de um jogo vendido como uma experiência de sobrevivência.

Um último ponto que gostaria de tocar, e que considero importante dentro de jogos de sobrevivência, é o senso de crescimento. Esse senso é fundamental, pois, na maioria dessa categoria de jogos, o gamer começa com uma mão na frente e outra atrás. E no momento que começamos a explorar, coletar recursos e construir novos equipamentos, temos a impressão que estamos de fato melhorando de vida (virtualmente falando). Essa sensação é, para mim, um dos melhores estímulos que temos para continuar jogando e explorando. No Man’s Sky peca bastante nesse sentido, uma vez que as melhorias são pequenas (por exemplo: uma nave nova só será melhor porque ela tem mais espaço para guardar seus itens, e nenhuma nave pode ser construída, somente comprada). Em Subnáutica, já consigo perceber um pouco mais desse sentimento de melhoria. Cada nova tecnologia que o jogador descobre, abre novas possibilidades de exploração e de interação com o ambiente. Caso alguém tenha o interesse em jogar o game depois de ler esse artigo, vocês irão entender o que estou dizendo após conseguir construir um dos meios de transporte que o game oferece. Com o mais simples deles, vocês conseguirão ir mais longe e mais fundo, abrindo a possibilidade de se descobrir novas espécies, tecnologias e recursos.

Olhar para cima também vale a pena

No Man’s Sky VS Subnautica: Veredito

No final das contas, Subnáutica ainda é um game desconhecido – e nesse quesito imagino que NMS seja imbativel – e que me causa certa curiosidade sobre qual será a opinião das pessoas sobre esse mundo aquático. Mas a verdade é que se tivesse conhecido Subnáutica há mais tempo, talvez eu teria economizado R$129, ou não. Afinal “hype” é “hype”, não é?

Para mais informações sobre No Man’s Sky, Subnáutica e tudo o mais, fique ligado no Rota42 e em nossas páginas do Facebook e Twitter.

Tags : No Man's SkypcSubnáutica
Antonio "The Kraken"

O autor Antonio "The Kraken"

Vou me descrever usando o que já escutei de mim mesmo: esquisito. nerd do computador, velho rabugento, Goofy, "se demorasse 20 segundos a mais para nascer, nasceria uma mulher".