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TV a cabo | Ou ela muda ou deixará de existir

Você já parou para pensar quantos canais de TV por assinatura você realmente assiste? Se a resposta for negativa, faça esse exercício. Procure saber quais canais você passa mais tempo, aqueles que mais te atraem, depois veja o preço que você paga por esse serviço. Em tempos que o consumidor é capaz de construir a sua própria programação (e pague pelo que realmente consome), é inadmissível viver em uma realidade em que você paga um valor altíssimo assistir canais de esporte ou de filmes e pagar por dezenas (ou centenas!) de outros que você definitivamente não assiste.

Sim, isso parece história dos anos 1990, mas é a realidade de praticamente todas operadoras de TV a cabo não apenas do Brasil, mas do mundo. É uma operação em que a escolha do usuário é colocada de escanteio.

A TV a Cabo não se reinventa

Como dito acima, a única opção de ter os canais de esportes é pagar um valor ainda mais alto por eles. Felizmente serviços de streaming como Netflix e Amazon Prime vieram para abraçar consumidores carentes de escolha. Os números mostram que nos Estados Unidos, referência quando se discute sobre consumo, 40% da população assina algum serviço de streaming. Ao mesmo tempo, cresce o número de casas com assinaturas apenas de internet, sem TV.

Isso mostra o que? Que as pessoas estão preferindo fazer a sua própria programação, assistir a sua série de TV na hora que bem entender, livres de uma programação definida. No Brasil, operadoras e canais de TV fazem lobby junto ao governo para aumentar impostos sobre serviços de streaming ou mudar a classificação da Netflix, processo que acarretaria no aumento do custo para o usuário final. O Brasil já está cobrando ISS da empresa, mas a mesma disse que não repassará o valor para o usuário final. Em algum momento foi colocado em pauta pelas operadoras um novo serviço para os clientes? Não. Inovação parece estar fora de discussão.

Não pense que ações assim são algo exclusivamente do Brasil. Nos Estados Unidos, concessionárias de internet e TV a cabo já tentaram uma infinidade de artifícios para atrapalhar a Netflix, propondo até que se pague a mais para o usuário acessar a empresa. Segundo as empresas, é caro sustentar o volume de dados da Netflix.

Escolher os canais que gostaríamos de assistir seria o melhor dos mundos, a Verizon é uma empresa americana que possui uma modalidade onde o cliente assina um pacote básico e escolhe entre sete opções: canais de notícias, esportes, filmes, infantis, etc. E uma alternativa muito atraente. Por outro lado, nos Estados Unidos já existe a Playstation Vue e Sling TV. Programação ao vivo via streaming.

Não da para fugir do streaming

Antes, apenas Netflix e Amazon Prime chamavam atenção para o streaming, até ai tudo bem, mas os próprios canais de TV já entenderam a mensagem. Por exemplo, o HBO Now é um serviço de streaming dedicado, não sendo mais necessário possuir uma assinatura do canal através de uma operadora para consumir o seu conteúdo. Pouco satisfeito? A ESPN já está preparando o seu serviço de transmissão online, algo que está sendo muito celebrado pelos amantes de esportes. Talvez seja um dos últimos pregos no caixão da TV a cabo, com filmes, séries e até esporte ao vivo através da internet, para que uma assinatura cara e engessada?

Vivemos em uma época em que os produtores conseguem entregar conteúdo diretamente para o consumidor final. O único intermediário, o provedor, ainda é o mesmo que entrega o sinal de TV por assinatura. Talvez uma mudança de foco seja o caminho, mais investimento em estruturas de rede para aguentar o agressivo aumento de consumo de conteúdo em alta definição, seja Full-HD ou 4K. Tentar suprimir os serviços de streaming, como a ideia do limite de dados, é dar vários passos para trás nesse enorme jogo de tabuleiro. A ideia de TV a cabo como conhecemos precisa mudar, caso contrário, ela vai desaparecer sem deixar saudades.

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Tags : Amazon PrimeHBO NowNetflixStreamingTV a Cabo
Thomaz Maioline

O autor Thomaz Maioline

Leitor de ficção cinetífica, hi-tech afficionado, fã de Seinfeld. Fanático com música, livros e quadrinhos. Caçador de barganhas.